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Por uma relação mais verdadeira no espetáculo do futebol
10 de May de 2012 – 14:04 | 4 Comentários

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Um desafio à torre de marfim

Submitted by Diogo on 6 de July de 2010 – 15:2210 Comments
Um desafio à torre de marfim

Natural de Manaus (AM), os mergulhos de infância no rio Negro permanecem vivos na memória de João Lizardo. Raízes afetivas com a água e a Floresta Amazônica movem o doutor em Matemática pela Universidade de Toulouse na defesa por uma real política de sustentabilidade para a região.

Com 43 anos ligados ao ensino, a maior parte deles dedicados à UFRJ, o professor chega, em 1970, ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), unidade da UFRJ na qual participou da criação do Programa de Sistemas e da Área Interdisciplinar de Energia. Atualmente diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), João Lizardo não hesita em apontar que a academia deve abolir a tendência da “torre de marfim” e se deter acerca dos problemas da realidade.

Diante do aquecimento global e da imperiosa necessidade do desenvolvimento de energias limpas e renováveis, sobram desafios tecnológicos para a universidade. “O Brasil precisa manter um leque de opções energéticas, compondo um sistema”, argumenta o engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Nesta entrevista exclusiva ao Jornal da UFRJ, Lizardo explica que vem da luz do sol uma das potenciais esperanças para substituição dos combustíveis fósseis, mas alerta que é preciso mudar o estilo de vida, sob o risco de não haver mais saída para a humanidade.

Um desafio à torre de marfim

Jornal da UFRJ: O aquecimento global é uma ameaça real. Por outro lado, as energias limpas já representam uma alternativa viável. Mesmo assim, por que a humanidade ainda permanece refém dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão)?

João Lizardo: É uma questão ampla, mas um dos entraves passa pela razão do custo. Com exceção da hidrelétrica, as energias limpas ainda são caras, embora os preços estejam caindo. Por exemplo, a energia fotovoltaica (solar), que já está bem desenvolvida é, recorrentemente, anunciada pela indústria como futura competidora com as outras. Durante todo o tempo eles dizem que daqui a cinco anos isto vai acontecer, e nunca acontece. Nos Estados Unidos, lugar mais barato para a compra desta energia, se paga cerca de 200 dólares por um Megawatt-hora (MW/ hora). Na Europa, este valor gira entre 300 e 700 dólares. Outro ponto, é que se baseou todo um esquema produtivo montado sobre os combustíveis fósseis. É uma acumulação histórica, não será fácil esta conversão para outras fontes. Mesmo na Europa houve uma inversão com o sistema rodoviário predominando sobre o transporte ferroviário.

Jornal da UFRJ: “Os dedos que apontam contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão”, discursou o presidente Lula da Silva durante a cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) acerca da segurança alimentar. Os biocombustíveis são responsáveis pela alta nos preços dos alimentos?

João Lizardo: O biocombustível dos Estados Unidos é o responsável pela alta nos preços dos alimentos no mercado mundial. Eles produzem etanol a partir do milho, em uma cadeia intensiva e com a utilização de toneladas e toneladas de uma matéria-prima originalmente destinada ao consumo humano e à ração animal. O que houve foi que o biocombustível brasileiro tornou-se vítima de uma contaminação internacional. Mas, no momento em que misturam indiscriminadamente todos os biocombustíveis, há uma pressão para o favorecimento de combustíveis fósseis. No Brasil, o que pode funcionar são os biocombustíveis, mas para o resto do mundo é complicado. Em nações com pouco território, isto pode significar um erro. Somos um raro caso, pois temos áreas disponíveis para plantações de cana-de-açúcar, sem forçar a elevação dos preços dos alimentos.

Jornal da UFRJ: Qual é o papel a ser desempenhado pela universidade no desenvolvimento de tecnologias para a obtenção de energia limpa, renovável e sustentável?

João Lizardo: Importantíssimo. Ela pode investigar alternativas com maior liberdade, diferentemente da indústria que quer a implantação de soluções rápidas e de centros como o Cepel, que são intermediários e procuram objetivos em médio prazo. Além disso, há uma série de parcerias, associações e cooperações que podem ser feitas. Muitas, inclusive, já estão em curso com a participação do governo, centros de pesquisa e empresas. Por outro lado, a universidade não pode estar alheia e ficar no “ar”. Pertenci à academia e sinto-me à vontade para dizer que há uma tendência de ficarmos na chamada “torre de marfim”. Precisamos descer de lá e nos interessar pelos problemas reais. Isto é possível. Há mais investimentos em pesquisas e acredito que pela primeira vez no Brasil, exista uma política integrada para a área tecnológica e industrial. No passado, estas políticas caminharam independentes e não resolveram.

Jornal da UFRJ: Campanhas destinadas à população como “mude o consumo para mudar o clima” têm relevância?

João Lizardo: O mais preocupante é exatamente o problema do aquecimento global. Precisamos atacar este perigo e resolvê-lo. As campanhas podem ser úteis para conscientizar, mas precisam vir junto com políticas de pesquisa e desenvolvimento e de eficientização, ou seja, melhor conservação de energia. Neste ponto, também precisamos caminhar sobre duas pernas, estimulando a introdução de tecnologias mais eficientes junto com a conscientização da população.

Jornal da UFRJ: Devido à sua riqueza e ao seu potencial energético, a Amazônia é alvo da cobiça de inúmeros investidores do setor energético. É possível conciliar uma política de sustentabilidade e preservação deste patrimônio nacional?

João Lizardo: Este tema me toca, pois sou amazonense, tenho uma relação afetiva com a floresta e a água. O meu pai era diretor de uma escola agrícola a 11 km de Manaus (AM), onde passava férias numa infância idílica, com direito a mergulhos no rio Negro. Vim embora aos 14 anos e nunca mais retornei para guardar as boas memórias, mas o que li em relatórios e no livro de Milton Hatoum Cinzas do Norte, (Companhia das Letras, 2005), que narra o que aconteceu com os arredores de Manaus por conta da implantação da Zona Franca, já me agonizaram e horrorizaram o suficiente. Agora, assusta-me a concepção de preservação como uma redoma. Por esta idéia é como se fossemos manter na pobreza uma enorme parte da população. Acredito em sustentabilidade, que pode ser equacionada com muita vontade e trabalho, além de enorme esforço de pensamento e ação.

Jornal da UFRJ: Sob a marca da sustentabilidade, grupos econômicos não podem camuflar a exploração irracional dos recursos naturais?

João Lizardo: Sim. Toda palavra pode ser mal usada e qualquer termo, por mais bonito que seja, pode esconder uma prática diferente do discurso. É o caso da responsabilidade social que se tornou um jargão na linguagem empresarial, mas que se encontra longe de ser uma ampla realidade. Apesar disso tudo, sustentabilidade ainda permanece como um conceito importante e não se pode perdê-lo do horizonte.

Jornal da UFRJ: É possível a construção na Amazônia de hidrelétricas ou outros empreendimentos para a obtenção de energia sem impactos ambientais?

João Lizardo: Vai haver impacto sempre, seja qual for o tipo de fonte de energia Na Amazônia é viável a construção de hidrelétricas que, com melhores desenhos (arquitetura), podem oferecer menos danos. Hoje, elas podem ser bem planejadas e geridas com a adoção de medidas para oferecer o mínimo impacto. Nos Estados Unidos, há pesquisas para desenho, em usinas de baixa queda, das chamadas “turbinas amigáveis” que não colocam em risco a vida dos peixes, pois não são de alta rotação. As hidrelétricas são fonte mais barata de energia. No Brasil, 1 MW/h custa entre 25 e 45 dólares e quem tem o maior potencial dessa fonte são países em desenvolvimento. Nosso país, por exemplo, aproveitou apenas 28% desta capacidade e o continente africano 7%, somente.

Jornal da UFRJ: A construção de novas hidrelétricas representa um ponto chave no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do Governo Federal. Entretanto, há enorme resistência de ambientalistas e de grupos indígenas. O que pode acontecer se estas hidrelétricas não saírem do papel?

João Lizardo: Se o Brasil não construir essas hidrelétricas, teremos mais centrais térmicas a carvão, que são mais poluentes, e ainda pagaremos muito mais caro pela energia. Não vejo riscos de um novo apagão, o que há hoje é uma enorme dificuldade para se tocar projetos de energia. A questão do licenciamento vem melhorando, porém, ainda faltam critérios mais claros. Além disto, qualquer obra pode ser embargada indefinidamente pela Justiça. Principalmente o Ministério Público deveria ter um sistema mais criterioso para fazer estes pedidos. Não sei o que há, mas as pessoas estão açodadas por uma febre de embargos, alguns inclusive sem base técnica. Chegou a um ponto que queriam impedir até um parque de energia eólica (ventos) no Ceará, felizmente, a Justiça negou o pedido. A impressão é que param tudo e depois se lembram de pedir os laudos. Afinal, em regra, antes de se iniciar uma obra já foram feitos muitos estudos e análises. Quanto à questão indígena, é preciso uma compensação. Há uma experiência no Canadá, onde os índios recebem parte da receita gerada pelas hidrelétricas. Em nenhum lugar do mundo, o território é tão exclusivo como aqui no Brasil.

Jornal da UFRJ: Na Islândia, 85% da energia é derivada da água vulcânica subterrânea, fonte mais limpa e barata do que as usadas pelos vizinhos europeus. Cada país deve procurar suas soluções locais para a questão energética? Quais são os potenciais que poderiam ser explorados nas regiões brasileiras?

João Lizardo: No momento, o país não pode descartar nenhuma fonte de energia. O ideal é que se atue em um sistema. No litoral do Nordeste, há os ventos alíseos que são constantes e oferecem um padrão fora-de-série à energia eólica. No chamado Polígono das Secas, existe um fantástico potencial para energia solar. Na Região Norte, as hidrelétricas de baixa queda. No Centro-oeste, os biocombustíveis. No Sudeste, o petróleo enquanto existir. No Sul, as termelétricas de carvão, que não deveríamos usar por emitirem CO2, e a eólica que nesta área está sujeita a surtos e paradas repentinas dos ventos, mas ainda assim são importantes como capacidade complementar em um sistema. Enfim, temos condições naturais favoráveis, mas enormes desafios tecnológicos pela frente. Um deles, a criação de métodos mais eficazes para a previsão de ventos. Esta é uma área que ainda engatinha em todo o mundo.

Jornal da UFRJ: E a energia nuclear, antes tão criticada, já é defendida por alguns especialistas e até ecologistas como uma opção viável de energia limpa, pois já existiriam tecnologias para minimizar riscos ambientais e possíveis acidentes. Tal argumento fundamenta-se tecnicamente?

João Lizardo: Não pode ser prioritária, mas também é uma opção útil e não pode ser descartada, especialmente porque temos muito urânio disponível. Os argumentos técnicos apresentados em favor da energia nuclear apresentam fundamentos. Os novos desenhos procuram ser mais seguros e eficientes. Contudo, a questão dos resíduos ainda “pega” e a operação dessas usinas necessita de equipes muito bem preparadas. Foi por um erro operacional que aconteceu a tragédia de Chernobyl (acidente nuclear, em 1986, na antiga União Soviética que expôs mais de oito milhões de pessoas à radiação). Por outro lado a França, que possui diversas usinas, nunca teve qualquer problema. É preciso ter um leque de opções e a nuclear também está entre as energias que poderão funcionar complementarmente.

Jornal da UFRJ: Estudos apontam que as fontes fósseis de energia acabarão. Diante de tal quadro, as energias limpas e renováveis se imporão quase por sobrevivência. Será preciso chegar ao caos para a adoção de um novo paradigma?

O que houve foi que o biocombustível brasileiro tornou-se vítima de uma contaminação internacional

João Lizardo: Espero que não. Pelo menos já há uma consciência maior acerca do assunto. Nesta luta contra o aquecimento global, ainda falta o engajamento dos Estados Unidos. O atual presidente, George W. Bush, simplesmente não quis saber da questão do meio ambiente. O que houve foi que o biocombustível brasileiro tornou-se vítima de uma contaminação internacional. Como o mandato dele está terminando, quem sabe isso não vá se reverter no futuro. Numa possível eleição de Barack Obama, talvez as chances de mudança sejam maiores. Eles deveriam acabar com o etanol baseado no milho, passando a produzir biocombustível a partir de resíduos de celulose.

Jornal da UFRJ: Segundo o Grupo Intergovernamental de Peritos sobre a Evolução do Clima (GIEC), criado pelas Nações Unidas (ONU) e Organização Meteorológica Mundial (OMM), é preciso reduzir em 60% as emissões de gás responsáveis pelo aquecimento da atmosfera até 2050, sob o risco de um colapso. As metas estão sendo cumpridas?

Quando se fala, na área de energia, em médio prazo, isso representa várias décadas

João Lizardo: Estamos longe de alcança-las e, além de fontes limpas e renováveis, precisamos resolver dois pontos chaves: reduzir o consumo de energia e investir na captura e armazenamento do carbono através de filtros que retenham os gases que provocam o efeito estufa, levando-os para depósitos subterrâneos. As usinas de carvão precisam adotar estes mecanismos. A China, por exemplo, consome carvão em larga escala e está ambientalmente uma “droga”, inclusive já ultrapassou os EUA como maior poluidor mundial. O seu caso é até compreensível, porque existe uma enorme parte da população na pobreza e o país precisa crescer. Agora, se os EUA adotam medidas para reduzir os gases do efeito estufa, os chineses vão se sentir constrangidos e talvez possam participar desta luta global. Mais difícil do que investir e desenvolver tecnologia é conter a expansão de carros e caminhões. Não podemos caminhar mais para o modelo tradicional de um automóvel para cada habitante do mundo. Se a gente continuar nesse crescimento, e com este estilo de vida, não sei se haverá saída. Não há solução geral. Quando se fala, na área de energia, em médio prazo, isso representa várias décadas.

Jornal da UFRJ: São falsos os argumentos contra a energia limpa sob a alegação de que o potencial das energias renováveis não substitui as tradicionais e que para desenvolverem-se em larga escala demandariam séculos?

Daqui a um século, vislumbro todos os veículos sendo movidos a hidrogênio, desde que não aconteçam políticas equivocadas pelo meio do caminho

João Lizardo: A Terra recebe uma radiação solar que equivale dez mil vezes ao atual consumo de energia da humanidade. Há potencial energético e, mais à frente, daqui a um século, vislumbro a expansão da energia solar como fonte predominante, com todos os veículos sendo movidos a hidrogênio. Podemos ter esperança desde que não aconteçam políticas equivocadas pelo meio do caminho.

Jornal da UFRJ: Existem pressões para que o Congresso Nacional altere a Lei 9478/97, que rege os leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). As empresas privadas são contrárias à mudança, mas há o entendimento de que a atual legislação caducou. Como o senhor avalia esta questão?

João Lizardo: A descoberta do pré-sal mudou totalmente a posição da Petrobras. O valor da empresa saltou da 14ª colocação para as primeiras posições no mercado. O cenário era diferente do atual e vejo esta cobrança como legítima.

Jornal da UFRJ: As agências reguladoras vêm cumprindo seus papéis ou ainda necessitam de maior independência?

João Lizardo: Elas funcionam razoavelmente e necessitam de constante supervisão para atuaram direito. Essa idéia de que elas precisam ser totalmente independentes é uma concepção neoliberal, lá do Consenso de Washington (conjunto de medidas econômicas ditadas, em 1989, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial). As agências podem ter autonomia, mas não podem se desvincular da política energética de governo. No setor elétrico, de vez em quando surgem denúncias de influência governamental, mas se observarmos de perto, percebe-se que, na maioria das vezes, são ações para baixar tarifas que haviam sido aumentadas em excesso.

Jornal da UFRJ: No estado do Rio de Janeiro, inúmeros municípios têm suas receitas engordadas com os royalties do petróleo. Esta dependência das cidades corre o risco de falir ou as recentes descobertas de mega-campos pela Petrobrás, próximas à Bacia Fluminense, garantem vida longa às economias locais?

João Lizardo: Não garantem vida longa, embora o petróleo ainda deva existir por décadas. Se os municípios não se prepararem para as “vacas magras”, vai acontecer o que ocorreu no século XIX, com as cidades do Vale do Paraíba, no Sul Fluminense, quando o ciclo econômico do café ruiu e junto com ele inúmeras cidades.

Jornal da UFRJ: A Prefeitura do Rio anunciou a criação do aterro sanitário de Paciência, na Zona Oeste, que receberá nove mil toneladas de lixo por dia. A decisão por este tipo de armazenamento enfrenta críticas diante das poucas áreas metropolitanas e das tecnologias disponíveis para extrair energia renovável e sustentável a partir da biomassa do lixo. Atualmente, 80% das prefeituras no país optam pelos lixões. Outras alternativas são ignoradas por questões técnicas ou para favorecer uma indústria já apelidada de “máfia do lixo”?

João Lizardo: Vivemos cercados por máfias. Então, a “máfia do lixo” existe. Agora, estas decisões das prefeituras acerca do destino final do lixo significam mais um comodismo. Elas acabam optando por uma solução que já conhecem. Usinas de processamento de lixo são viáveis, mas antes disso é preciso proceder a separação dos materiais recicláveis. A cultura da coleta seletiva ainda não está completamente enraizada na sociedade brasileira.

Jornal da UFRJ: Quais são as principais pesquisas em desenvolvimento pelo Cepel e quais são as colaborações com a UFRJ?

João Lizardo: o Cepel é o maior centro de pesquisas elétricas da América Latina. É mantido basicamente pelo Sistema Eletrobrás e dá atenção às suas necessidades. Mas seus trabalhos beneficiam todo o setor elétrico brasileiro. Há várias pesquisas em andamento. Um exemplo são os medidores eletrônicos centralizados, com patente internacional do Cepel, fabricados pela Siemens sob licença e adotados pela Ampla Energia e Serviços S.A. Quanto às pesquisas em desenvolvimento, estamos implantando um Laboratório de Ultra-altas Tensões, com financiamento da Agência Financiadora de Projetos (Finep) e da Eletrobrás, para o desenho das linhas de transmissão da Amazônia, em que deveremos ter várias colaborações com a universidade. Ainda em hardware, participamos de uma pesquisa cooperativa acerca de células a combustível usando etanol. Em software, há três destaques: planejamento (energético de longo prazo, operação energética em médio e curto prazo), operação elétrica e controle do sistema. Em planejamento de longo prazo há o MELP (Modelo da Expansão da Geração de Energia Elétrica em Longo Prazo), utilizado pela EPE (Empresa de Planejamento Energético) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na elaboração do Plano 2030. No planejamento da operação há a família Newave, hoje em sua 13ª versão, todas validadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e usada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) e pelo MME. Esta se mantém na fronteira do conhecimento graças a constantes interações com as universidades, nacionais e internacionais. Na operação elétrica, o Brasil pode orgulhar-se de ser o único país em desenvolvimento a ter uma cadeia completa de software para operação, análise da estabilidade e recomposição do sistema de nível internacional, inclusive com vendas e licenciamentos para países do Primeiro Mundo; aqui, também, mantemos constante colaboração com a universidade. Finalmente, no que diz respeito ao controle, o Cepel desenvolveu o Sage (Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia), que permitiu ao setor elétrico brasileiro libertar-se dos pacotes de vendedores de equipamentos; trata-se de um sistema aberto, flexível e modular que está em permanente evolução.

Originalmente publicado aqui

Jornal da UFRJ
Gabinete do Reitor • Coordenadoria de Comunicação da UFRJ
Ano 3  – Nº 35
Junho de 2008

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