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Por uma relação mais verdadeira no espetáculo do futebol
10 de May de 2012 – 14:04 | 4 Comentários

Nada contra o merchandising, longe disso. Mas acho que a Brahma poderia explorar de maneira muito menos grotesca do que essa. Estampar a logomarca na bandeira estendida pela torcida de forma a chamar mais à …

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O cinema de autor sobe o morro

Submitted by Diogo on 19 de July de 2010 – 01:5413 Comments
O cinema de autor sobe o morro

Wong Kar Wai, Martin Scorsese e Woody Allen estão, dia após dia, tornando-se mais populares no Morro do Adeus, em Bonsucesso, graças a um canal de TV a cabo pirata — a chamada “GatoNet” — cuja programação já incluiu até documentários de circulação inimaginável pelo circuito exibidor da Zona Norte, como “O homem urso” (2005), de Werner Herzog. Lá o cineasta germânico anda em alta: “Vício frenético” (2009), em que Herzog transforma Nicolas Cage em um policial alucinado, é o hit da hora. “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e a versão redux de “Cinzas do tempo”, filmado por Kar Wai em 1994, foram apresentados à comunidade por uma emissora sem nome, de número 18, cujos filmes são exibidos quase sempre dublados, tirados de DVDs. Hoje, a atração no Morro do Adeus será “Um homem sério”, dos irmãos Joel e Ethan Coen. O mesmo longametragem é repetido várias vezes por dia, sendo substituído por outro a partir das 23h. O drama carcerário “O profeta”, de Jacques Audiard, deve entrar “em cartaz” na comunidade amanhã.

Transmissões televisivas dessa natureza são ilegais. Mas para os moradores do Complexo do Alemão — em especial os do bairro, sem salas de exibição há, no mínimo, 30 anos —, o canal 18 virou mais do que a maior diversão. Virou um ponto de encontro com o cinema autoral, tal qual num bom cineclube.

Tenho colegas que passam a noite de sábado vendo dois filmes do canal de DVDs

— Tenho colegas que passam a noite de sábado vendo dois filmes do canal de DVDs — diz o comerciante João Ferreira, de 38 anos, que descobriu a filmografia do canadense David Cronenberg assistindo a “Spider — Desafie sua mente” (2002) na “GatoNet” do Adeus. — Para quem não sabe avaliar se tal filme é desse ou daquele diretor, o que fica é a sensação de estarmos vendo filmes diferentes. Antes, no canal de DVDs era só filme de sacanagem ou show de pagode do Exaltasamba.

Outro dia, eu liguei a TV e vi “Bastardos Inglórios”. De graça. E, depois que as pessoas passaram a cobrar mais filmes brasileiros, puseram o Canal Brasil na Gato. Já vi até filme daquele Arnaldo Jabor, do “Jornal da Globo”.

Festival Mazzaropi na Rocinha

Ferreira resolveu correr atrás de outros filmes de Scorsese depois de ver “A ilha do medo” (2010) na “GatoNet”. Comprou um DVD de “O touro indomável” (1980), estimulado a conhecer melhor a obra do cineasta. Ele não sabe quem programa as “sessões” do canal 18. Sabe apenas que, se pagar R$ 30 por mês, terá um pacote de 24 canais, entre eles, o 18.

— Na Maré, há tempos existe um canal alternativo que exibe, em DVDs, documentários feitos na comunidade sobre os campeonatos locais de futebol e até a chegada do Papai Noel, mas que já passou “Notícias de uma guerra particular” — conta o cineasta Cadu Barcelos, realizador de um dos episódios de “5xFavela, agora por nós mesmos”.

Ocupado com a divulgação do filme, agendado para 20 de agosto, Barcelos ainda não sabe que, caso sintonize hoje na emissora de DVDs do Complexo da Maré — “No Timbau, é o canal dez. No Pinheiro, é o cinco”, explica —, poderá ver “Onde vivem os monstros”, de Spike Jonze, e “O fantástico Sr. Raposo”, de Wes Anderson. Colega de Barcelos em “5xFavela”, o diretor Rodrigo Felha diz que a Cidade de Deus já teve um canal similar ao da Maré, hoje proibido.

— Os documentários que circulavam no canal de DVDs da Cidade de Deus tinham o mesmo papel dos cinejornais exibidos quando o cinema surgiu: eles informavam a população — afirma Felha.

Morador da Rocinha, o ator e estudante de Jornalismo Robson Melo prepara uma monografia sobre o trabalho social da TV Tagarela, que, desde 1997, exibe nas ruas de sua comunidade curtas e longas-metragens nacionais.

O grupo põe um telão em pontos da Rocinha e exibe, em DVD, na rua, atrações como um festival do Mazzaropi.

Criado em Brás de Pina, onde filmou, com Cavi Borges, o curta-metragem “A distração de Ivan”, exibido no Festival de Cannes, o cineasta Gustavo Melo hoje mora no Vidigal, onde o canal VDG TV exibe, em DVD, filmes autoralíssimos como “En marchant” (1969), do animador canadense Ryan Larkin.

— Além de exibir curtas dos festivais de Brasília e Vitória, o canal faz propaganda quando a gente exibe “Cidadão Kane”, de graça, no cineclube do Nós do Morro — diz Melo. — Hoje, os canais piratas estão criando público para o cinema nacional e o cinema autoral em geral.

Autor de “Lembrancinha do Adeus” e “Sorria, você está na Rocinha”, o escritor Julio Ludemir, pesquisador da periferia, vê a “GatoNet” como uma espécie de Cinemateca do MAM do morro: — As classes populares não perdem oportunidade alguma de consumir cultura quando esta lhe é acessível. Curioso é que acreditava-se que o “GatoNet” acabaria com a venda de DVDs piratas. Mas não acabou.

por Rodrigo Fonseca

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