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Maybe Not » A TV Digital em Pindorama
Por uma relação mais verdadeira no espetáculo do futebol
10 de May de 2012 – 14:04 | 4 Comentários

Nada contra o merchandising, longe disso. Mas acho que a Brahma poderia explorar de maneira muito menos grotesca do que essa. Estampar a logomarca na bandeira estendida pela torcida de forma a chamar mais à …

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A TV Digital em Pindorama

Submitted by Diogo on 24 de October de 2007 – 13:466 Comments
A TV Digital em Pindorama

Eu li dois blogs nos últimos dias que tinham posts relativos ao assunto da TV Digital (TVD) . Um deles foi no Techbits de Alexandre Fugita e outro foi no Interney de Edney Souza. No primeiro, o post é sobre a necessidade de investimentos em aplicações web mobile. Já o segundo é sobre os mistérios da TVD.

Antes de mais nada devemos conceituar que a TV Digital é uma nova TV. A outra que você conhece, morreu. Pois, pela primeira vez, se trafegará todas as informações de forma dual na televisão. Mas não é esse aspecto apenas que fará a diferença da TV Digital. A quebra paradigmática se dará em vários outros pontos.

Relativo à Legislação, o Brasil é uma sopa de leizinhas. É Lei Geral da Comunicação Social e Eletrônica, Lei Geral das Telecomunicações (LGT), Lei de Imprensa, Legislação de TV aberta, Legislação de TV a cabo, Legislação para o mercado publicitário [a regulamentar], Código do Consumidor e a parte relativa aos Direitos Autorais. Então, vamos mexer em muita coisa aqui, em coisas enraizadas fundamente. O Código Brasileiro de Telecomunicações, o primeiro a tratar deste assunto, foi promulgado em 1962. Em 67, há o decreto-lei 236 (DL) onde há pagamento de sobretaxas em DDD e DDI e subsídios às transmissões das emissoras de televisão por satélite [atenção: o estado brasileiro sempre financiou essa área]. Nossa Constituição Federal é de 1988 onde no artigo 224 tenta regularizar o cipoal de então com 36 tipos diferentes de licença para exploração do espectro eletro-magnético (analógico) ou cabo. Em 97, é aprovada a LGT onde, através de uma emenda, se separa as telecomunicações das radiodifusões. A Internet acaba definida como serviço de valor agregado, não sendo mais sujeita às Telecomunicações.

Acontece que as empresas de mídias no Brasil sempre foram muito beneficiadas pelo estado. É óbvio que as particularidades desta nação favorecem este cenário, mas não podemos esquecer que a distribuição da mídia aqui é nociva ao consumidor. O que lemos no parágrafo passado foi toda a ajuda que o estado pode dar em prol destas empresas, em subsídios, proteção de mercado e distribuição. Na Inglaterra, em meados de 2000, ao começar as transmissões de TVD, todas as regulamentações de comunicação e radiodifusão foram extintas para a criação de apenas uma. Aqui, o lobby das emissoras não deixou por temerem a entrada das operadoras (telecom) e seu vasto capital financeiro. Mesmo assim, conforme publicado no O Globo, dia 24 de outubro de 2007, página 32, este paradigma foi rompido, pois a Anatel abriu o mercado de TV a cabo às telecom. Nota: só a TV a cabo foi aberta.

No campo tecnológico, a TVD interessa e muito à indústria, principalmente à eletro-eletrônica de consumo de massa e a de informática, assim como também interessa ao estado [afinal na maioria das vezes ele o financia]. A possibilidade da ampliação da fronteira de criação de novos produtos, expansão nas vendas e desenvolvimento tecnológico gera muitas expectativas e tensões. Em qualquer lugar do mundo, o campo das telecomunicações é de estratégia nacional. Imaginem vocês terem um mercado de 57 milhões possibilidades reais de venda do seu produto. Pois 57 milhões é o total de aparelhos televisivos no Brasil, de acordo com a PNAD de 2002. Agora junte com os nossos 105 milhões de celulares. TVD, fixa e móvel, 57 + 105, igual à $. A convergência é vetor de fortalecimento das cadeias produtivas do país.

Outro fato é que a TV aberta precisava inovar e não era em relação ao conteúdo [considerado bom]. Tanto nos EUA quanto na Europa, a audiência vêm caindo frente à concorrência de vídeo na Internet (IPTV), de mercado móvel, da própria Internet, das TVs a cabo, do HD-DVD e da nova geração de vídeo games (X-Box, PS3, WII). A TV estava um dinossauro, precisava mudar. Então, podemos concluir que a TVD acaba sendo um sistema de transmissão terrestre robusto, e com diversas possibilidades, para ao menos poder competir com as outras mídias. Essa necessidade de atualização é um fenômeno mundial.

A questão dos aparelhos vendidos pelos comerciantes erroneamente anunciados como aptos para a TVD é caso de polícia. Ou alguém duvida que as empresas não soubessem que o Brasil optaria pelo padrão japonês, afinal havia a chancela ‘global’. Mas, mais que o japonês (ISDB), o Brasil adotou o ISDB-T que tem maior flexibilidade [um uso melhor do espectro], emprega um sistema com múltiplas portadoras [garantia do sinal], bom desempenho em canais com múltiplos percursos [sem problema de eco], com suporte à recepção móvel [mobilidade] e segmentação de banda [interatividade]. É verdade que o nosso modelo foi ‘chancelado’ pelo baronato da mídia nacional, mas quem disse que os outros eram bons?

Em relação ao padrão de transmissão [é o que importa], no americano a recepção é ruim, e no modelo europeu o padrão só é bom para as empresas de telefonia móvel. O japonês era o único que permitia aos broadcasters transmitirem diretamente à um canal de dispositivo portátil. O lobby das emissoras foi mais forte sim, mas não havia nenhuma Brastemp entre os três. O bom é que o nosso padrão vêm depois de todos os outros, então o ISDB-T é um belo de um update do ISDB. O padrão de vídeo é MPEG 4, o middleware é nosso [o set-top box] e temos um melhor canal de retorno. Em termos conceituais diria: formato de tela 16:9, imagens em alta definição, multiprogramação, interatividade, mobilidade / portabilidade e multi-serviço [rádio, Vídeo on Demand (VOD) e Internet].

Um dos verdadeiros problemas reside no nosso modelo de negócio. Diferente de outros países, a nossa TV aberta é bem conceituada pelo público, os broadcasters são também produtores de conteúdo em um modelo altamente vertical e os consumidores de TV por assinatura assistem predominantemente aos canais de TV aberta. Em suma, é um modelo vencedor. As empresas privadas não utilizaram, ao menos inicialmente, todas as funcionalidades da TVD. Tanto os multi-serviços quanto a multiprogramação ficarão de fora.

O contraponto desta balança pode ser a TV pública, pois já que TV comercial terá poucas mudanças, utilizando o máximo possível de funcionalidades na TVD. Então, o modelo da TV pública será o modelo de serviços, com finalidade não-lucrativa, financiada por orçamentos estatais, prestação de serviços e publicidade. A diferença entre os modelos de negócio e de serviços será a vontade do usuário. Pois, assim como acontece na web, o foco agora será dado pelo consumidor.

Por isso que digo que TV como conhecemos, acabou. Porque, o horário, o meio e o conteúdo será de inteira e total responsabilidade sua.

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